terça-feira, 30 de setembro de 2014

domingo, 14 de setembro de 2014

Abinoã: Mijo e Dança

Tudo começou há muito, mas muito tempo, quando Abinoã tinha casa própria, montanhas de dinheiro, um monte de armas em casa, estava acima da lei e de quebra ajudava a polícia federal a capturar uns pedófilos por aí.
Tudo isso... no joguinho. Abinoã morava no porão da casa de sua mãe, sempre no computador comendo pringles e trajando a irônica camiseta de bazinga. Por causa do joguinho, ele volta e meia recebia perturbadoras ameaças de um sujeito um tanto bizarro, que diziam que Denise, a paixão platônica de Abinoã, seria sua, não importava o preço. Era o Arlequim, o baixista eternamente fantasiado de arlequim que procurava uma banda poser na qual poderia tocar; Arlequim se achava muito frio e calculista depois de entrar em comunidades do orkut que assim o descreviam, e tudo o que tinha era em uma temática de cartas de baralho. Mas toda essa sua pose não passava de revolta juvenil depois da morte de seu pai.
Ele não saía muito e era extremamente tímido com mulheres do sexo oposto, e portanto perguntou a seus amigos como ele deveria fazer para pegar mulher.
Eles então responderam que ele deveria passar a tarde inteira bebendo quinze litros de água, sem ir ao banheiro em qualquer hipótese; era para ele estar com a bexiga bem cheia quando ele chegasse junto da mina que ele queria, e quando fosse o momento certo, eles iriam até um canto mais reservado e ele iria mijar nela.
Ele agradeceu de coração essa preciosa dica, e logo a pôs em prática. Ele virou um copo d'água atrás do outro; lá pelas quatro da tarde, parecia que seu bucho ia estourar. Ele já se esforçava em se segurar pelas sete, quando estava passando maquiagem e tirando selfies.
A fila para a entrada da balada parecia especialmente interminável enquanto nela Abinoã suava frio. Não obteve nenhum alívio quando finalmente adentrou o estabelecimento para suas luzes tontas e amontoamento de gente. Ele deveria se apressar em ter sucesso na conquista, pois não sabia até que ponto seria capaz de segurar!
Enquanto isso, todos dançavam freneticamente ao som de músicas nacionais dos anos 80, com instrumentalistas que morreram de tristeza e cantores que exaltavam suas próprias virtudes; eram muito autoconfiantes; em suas letras diziam que eram aqueles que andavam sem ser vistos, os números da sorte, convidados das águias, usuários da sorte, e por aí ia. Abinoã tentava se sentir seguro e confiante em si mesmo diante de tanta animação, enquanto ouvia uma totalidade de asmáticos que dançavam e chiavam.
Abinoã não era lá um bom dançarino, mas decidiu arriscar um passinho, mas por desesperada necessidade. Ele forçava cada vez mais a barra tentando se convencer de que era um dançarino aceitável; o ritmo da música ficava cada vez mais frenético! Abinoã suava, o esforço era muito grande! De repente, quando ele deu conta, era tarde demais: o fluxo começou a molhar suas roupas novas sociais, e agora não havia nada que Abinoã pudesse fazer para deter a torrente! "Maldição!" - pensou Abinoã - "devo me conter antes que acabe tudo!" - ele tentava, em vão, conter o jato de urina que agora fluía profusamente de sua bexiga dormente. Agora o melhor que poderia fazer era manter ele longe das pessoas para não ser arremessado pra fora do estabelecimento e nunca mais poder voltar. Para tanto, ele mirava para qualquer lugar que fosse, no copo com foguinho de artíficio, nas saídas de emergência, no equipamento de som causando falhas técnicas graves, e afins...
Ele continuava dançando para tentar disfarçar. Uma guria dessas aí começou a chegar mais juntinho dele, e quando Abinoã se virou para ver quem era, acabou encharcando-a de urina - "Ah! Meu vestido! Desgraçado!" e o atacou impiedosamente com a bolsa.
A alguns passos dali, estava Denise, dançando enquanto bombava a abertura de Furacão 2000 na caixa de som. Sem que ela se desse conta, Arlequim dançava perto, cortejando-a. Ainda sem receber atenção, Arlequim sacou uma uzi e começou a disparar para o alto, dizendo: "agora você é minha, vadia!" - Ela saiu correndo em pânico junto aos outros, um estouro da manada, rumo à saída de emergência. Mas todos escorregaram na urina que misteriosamente empoçava o chão e se amontoaram contra a porta. Mas Denise corria por sua vida alheia a tudo ao redor, e quando se aproximava da saída livre mais próxima, houve uma explosão de C4 e ela foi arremessada para longe.
Enquanto isso, Arlequim disparava a uzi para todos os lados rindo diabolicamente. Abinoã estava muito furioso; aquele anormal tinha ido longe demais, e precisava tomar uma providência, mas Arlequim estava armado e perigoso! Abinoã nem mesmo conseguia conter a própria urina.
Mas no fim, Arlequim, acabou escorregando numa poça de mijo, acidentalmente atirou na própria cabeça e morrendo no processo.
Agora que a ameaçava daquele descompensado chegou ao fim, Abinoã foi resgatar Denise, e a tomou heroicamente nos braços. Ela estava muito ferida, precisavam chegar num hospital o quanto antes, e o lugar estava cercado pela polícia, que diante do alvoroço não sabia exatamente do que se tratava toda a situação. Os homens da lei com seus enormes capacetes não estavam dispostos a facilitar as coisas para Abinoã, que saiu do estabelecimento atônito e o trilhando o chão de urina só para se ver sob a mira de armas. Eles faziam mil exigências, e Abinoã só precisava sair dali, pois Denise estava morrendo! Ele se desvencilhou bruscamente dos policiais retardados e foi até seu carro rebaixado com aerofólio, neon, e uma parede de aparelhos de som, veículo o qual Abinoã jurava que não era pra compensar alguma coisa.
Ele então irrompeu pelas ruas na direção do carro, perseguido por várias viaturas, e ainda incapaz de parar de mijar, encharcando o carro. Ele mandava os policiais se ferrarem ao gritar o mais alto que podia. As viaturas por vezes batiam, e explodiam espontaneamente, causando caos e destruição.
Após uma longa perseguição, Abinoã estava na periferia da cidade, e olhou para ver como estava Denise, que se pendurava desesperadamente à vida. Tinha um hospital ali perto, mas do lado tinha um bailão no qual Abinoã ainda poderia se dar bem. Denise tinha esperado até agora, então podia esperar mais um pouquinho. Mas, quando Abinoã se deu conta, o fluxo de urina foi bruscamente reduzido, gotejando até parar. E a última gota foi justo na cueca, por mais que Abinoã tivesse balançado antes. Talvez ele devesse esperar final de semana para se valer dessa estratégia de galanteio.

Moral: Sempre cuide do excesso de peso da sua mochila.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Bad Kissinger: O Sonho, O Homem, A Aventura

Tudo começou no Oeste, em um tempo no qual um homem era um homem, e todos ouviam Mumford & Sons para entrar no clima, apesar de ser um enigma o que uma banda de hipster tinha a ver com arremessar machadinhas sobre superfícies. Todos viviam sob o jugo de coronéis que impunham sua vontade como lei através de jagunços armados até os dentes, e todos eram mantidos afogados em desemprego e alcoolismo, e com medo dos bugres que espreitavam afora pela selvageria, reputados pela avidez em escalpelar mulheres e trouxas.

E havia Bad Kissinger, que não se importava com detalhes históricos do país, afinal o país era um lixo; não tinha saúde, não tinha hotel, não tinha aeroporto que prestasse, conforme ele denunciava no seu instagram. Bad era o gatilho mais rápido do Oeste, e tinha uma cobra na sua bota. Ele era um cowboy, no sentido mais amplo da palavra; não era propriamente um vaqueiro, pois era absolutamente inepto em arrebanhar gado; ele tinha apenas três vacas magras e doentes, todas as outras foram roubadas ou pelos bugres ou por foras - da - lei. As restantes nem pra corte serviam. Quando ele as oferecia a algum fazendeiro, a oferta era prontamente recebida com uma joelhada nas partes íntimas de Bad Kissinger.
Ele podia ser o gatilho mais rápido, mas não para defender seu rebanho; na verdade ele estava se lixando para ele. Suas prioridades eram outras.

Ele passava parte do tempo em que não estava em uma pradaria fazendo cara de marrento ou cuspindo no chão curtindo a balada country, onde aproveitava para realizar essas mesmas atividades. Naquela época, os rituais de socialização e o entretenimento estavam condicionados à música típica, o sertanejo, que era um fiel retrato da vida interiorana, sem o amparo da civilização, com profundas questões existenciais aos rústicos peões, como embebedar meninas com tequila. Tinha tudo a ver com caras com jeans grudado e topetes ridículos. Era em lugares onde tocavam tais ritmos nos quais Bad tentava sua sorte com as mulheres.
No entanto, nunca conseguia qualquer gratificação, pois tinha um grave percalço: ele beijava muito mal. Seus beijos eram péssimos, que deixavam completamente contrariadas aquelas que achavam que um beijo, qualquer beijo, não poderia ser tão ruim assim. Até quando os pais dele o deixavam na escola, quando ele dava beijinho de tchau, os pais dele ficavam escandalizados e se viravam indignados e perguntavam: "que droga foi essa? Vai! Se arranca!". Ele até poderia ter uma boa aparência e uma lábia matadora, mas depois de se submeterem a uma experiência tão penosa, elas empurravam Bad pra longe com absoluta repugnância, não queriam nem olhar pra cara dele de novo. E tudo parava por esse ponto mesmo.

Nessas ocasiõs, não era raro que Bad Kissinger estivesse acompanhado de seu fiel aliado, que o ajudava (às vezes) com o rebanho: Dani Boy. Dani era jovem e impressionável, e usava gírias e expressões forçadas e falava de assuntos pífios dos quais fingia entender como se fossem a coisa mais legal do mundo, quando claramente não eram; ele passava bastante tempo nesses bares que Bad Kissinger frequentava, sempre contraindo doenças venéreas.

Houve uma vez em que estavam os dois enchendo a cara às duas da tarde, quando irrompeu pelo bar um peão que gritava ensandecidamente, revirando os olhos. Bad Kissinger e Dani foram socorrê - lo, e logo se sujaram de sangue quando tentaram lhe dar apoio. Ele se identificou como um dos trabalhadores de uma fazenda de erva mate das redondezas;  apesar de pertencer a pequenos proprietários, estes eram os reis da erva mate, mas o Coronel decidiu que uma estrada de ferro iria passar por cima do lugar. Nem os donos nem os trabalhadores arredaram o pé até o prazo estipulado, então vários jagunços apareceram e a incendiaram! Nem se incomodaram em gastar balas com os proprietários, eles o mataram com coronhadas e desovaram os corpos no meio do mato. A filha dos donos, Frida, acabou sequestrada por aqueles homens! A culpa do incidente todo foi atribuída aos bugres, e então o Coronel orgulhosamente anunciou à imprensa que uma expedição punitiva contra suas aldeias já estava a caminho. Faziam poucas semanas desde que o braço direito do Coronel incendiou umas aldeias e fotos de cadáveres de peles-vermelhas empilhados ilustraram notícias bastante otimistas, de que "justiça tinha sido feita".

Ele foi a única testemunha da atrocidade praticada a mando do coronel, e fugiu o mais rápido que pôde para tentar alertar alguém, quem quer que fosse, mas no meio do caminho havia uma emboscada, e tinha uma emboscada no meio do caminho. O peão levou três tiros nas costas e por pouco fugiu dos capangas do Coronel. Foi em seu último fôlego que pôde contar toda essa história aos nossos intrépidos hérois, antes de finalmente despencar morto no chão, empoçando - o de sangue e provocando a ira do dono do bar: "de novo não!"
Nenhuma justiça viria do poder federal, pois estavam mancomunados com os grandes fazendeiros. Agora cabia a Bad Kissinger e a Dani Boy darem um jeito no Coronel, pelo visto, enquanto que Dani pertinentemente comentou: "puxa, cê já viu como coronel lembra 'coala'?" - antes de levar uma cotovelada de Bad no estômago.

Todo mundo no bar tinha visto o moribundo junto a Kissinger e Dani Boy. Estes não poderiam mais contar com qualquer refúgio naquela cidade, pois seus intimidados habitantes prontamente os denunciariam ao Coronel, e na melhor das hipóteses, os dois terminariam mortos. O Coronel tinha uma reputação de ser absolutamente inclemente com seus inimigos; ele tinha sempre por perto um alicate cor de marca texto, que ele usava para apertar, torcer e espremer genitálias; e quando ele terminava, não sobrava nada.

Então os dois partiram para a selvageria dos sertões onde costumavam arrebanhar o gado, distantes de toda civilização. Ao anoitecer, estavam assando a carne de um cachorro abatido que Bad Kissinger tinha comprado dos bugres.
Dani Boy dizia: "Puxa, Bad, imagina como deve ser essa tal de Frida! O maior pedaço de pão..." - no entanto, Kissinger ficou impassivo. Ter pensamentos com mulheres o deixava consciencioso... pois seria apenas mais uma mulher que o abandonaria no primeiro beijo e o odiaria para todo o sempre. Dani notou essa preocupação: Ah, puxa, Bad... é o negócio do beijo, né?" - "Sim, eu sou ruim demais nisso, é uma técnica que eu não tenho, acho que é isso". - "Como assim 'técnica'? Tem nada de mais! É curtir o momento, você encosta os lábios e... a magia acontece". Bad levantou o olhar da terra e olhou fixamente Dani: "é uma falta de experiência..." - e depois de um longo silêncio, disse: "Eu... sou BV"

Dani ficou um pouco desconcertado: "BV? Como assim BV? Você já beijou, eu mesmo vi você beijando gurias, mais de uma vez! Você não é BV!"

"Pense bem, é da virgindade da boca que estamos falando!" - Certa vez Bad Kissinger esteve entre os bugres para uma viagem esotérica de autoconhecimento. Ele conheceu um antigo e renomado pajé, e a ele demandou como ele poderia perder o BV e se tornar um cara experiente. Para tanto, ele deveria introduzir um órgão viril pela boca, goela abaixo. Imbuído desse conhecimento milenar, Bad Kissinger deixou aquela aldeia, um pouco desconfiado, pois pensou ter escutado riso contido pelas costas vindo do velho pele - vermelha.- "É assim que se desvirgina as coisas! É o meio que devo buscar se não decepcionar mais as mulheres em graves momentos!"

Dani estava completamente chocado, e ofendido. Ele saiu correndo, chorando! Estava tudo ótimo até ele falar aquelas coisas! Nunca poderia esperar uma baixaria tão grande de alguém que respeitava tanto! Ele era tão bonito! Assim Dani correu desorientado pelos sertões, escuridão adentro, aos prantos, abandonando Bad para sempre, que ficou sem reação alguns instantes, diante da fogo que crepitava. A deserção de seu fiel escudeiro vinha como um baque, maior do que já estava acostumado. Ele se esforçava para entender  o que havia feito ou dito de errado! Não pensava que tamanha sensibilidade pudesse ser afrontada pela ideia  de uma felação! Era algo tão escabroso assim? Talvez fosse mesmo.
Mas antes que a vergonha pudesse se apoderar de sua mente, ele se deu conta de que havia cometido uma grande cagada! Assim que Dani estivesse de volta à civilização, não ia demorar nada para ele contar "da coisa horrível que Bad Kissinger me disse!" para todos, incluindo moças, dessa forma tornando - o um pária e arruinando qualquer chance sua de pegar mulher, na vida. Ele não poderia permitir algo assim, e agora ele devia se confrontar com a ideia de matar seu melhor amigo para evitar a sombria revelação de um segredo outrora inconsequente! Ele decidiu que precisava eliminar Dani Boy o quanto antes.
Foi assim que Bad Kissinger se tornou mau, e para consolidar sua descida para as trevas, ele fumou crack!

Ao amanhecer, ele esfregou sua jaqueta de couro característica nas cinzas da fogueira da noite anterior, para que ela parecesse mais maligna. E abandonou suas calças, andando nu da cintura pra baixo, pois agora que era mau não precisava mais obedecer convenções sociais.
Em cima de sua montaria, partiu para a caçada definitiva, para pôr termo à vida de seu antigo aliado.

Urubus davam incessantes voltas pelo céu, observando de cima a esterilidade e a mata rala que bordeavam o caminho do estranho cavaleiro e suas intenções. Não havia qualquer sinal de seu alvo pelas vastidões secas espalhadas para todos os lados. Poderia ser que os elementos já tivessem dado cabo dele, mas Kissinger só se daria por satisfeito quando o encontrasse, qualquer que fosse seu estado. Volta e meia ele desmontava para seguir rastros esparsos de passagem humana, com as técnicas que aprendeu com os bugres.

Em lapsos de sua férrea determinação, pensamentos a respeito do incidente daquela noite lhe ocorriam. Como o peso das palavras poderia ser tão insuportável? Seria que era pertinente, de qualquer forma, que Bad Kissinger tivesse dito aquilo? Ele deveria criar limites! No entanto, achava que era  o pessoal que não sabia escutar, que nada concediam! Eram todos um bando de ignorantes sem tolerância e de mente pequena, bando de otários que nem o pessoal da 9a série. Vários anos depois, continuavam vagabundos e inúteis, a única coisa que tinham na cabeça eram as baladas as quais Kissinger frequentava. Povo ruim e mesquinho, característica do lugar. Tinha ainda aquela professora imbecil na época, ainda chamava de "tia", a despeito das  censuras, e que ele achava castradora (psicanaliticamente) quando o reprimia de apresentar pra sala suas fanfics de Harry Potter. Ela era uma cretina também, uma ignorante, que não sabia de nada e ganhou o emprego porque era tudo uma droga.
Essas memórias atormentavam Bad, e o faziam pensar que "os outros são sempre ruins. Não reconhecem a genialidade da minha expressão. Eu estou certo e faço o que quero como quero. Sou muito inteligente e melhor que eles, sei o que estou fazendo". Mas agora, de todas as pessoas, era Dani que ele tinha afastado com sua liberalidade de discurso. Talvez fosse igual, ou pior, do que ficar BV.

Ficou absorto em seus pensamentos até que ouviu um gemido e se alertou. Logo adiante viu Dani Boy cambaleando precariamente, quase cego de tantas lágrimas, ainda soluçando e chorando. Num impulso, Kissinger se atirou do cavalo para cima dele, e começou a espancá - lo furiosamente. O desejo de ver sangue jorrando e a raiva cega, vindos da ideia de que Dani Boy espalhasse sua revelação comprometedora, ainda não tinham morrido. Assim que Dani o viu sacando o revólver, ele implorou: "Pelo amor de Deus, não me mate! O que eu fiz? Por que você quer fazer isso comigo?"

Diante do choro mais miserável e desesperado que já tinha visto, um lampejo de pena acometeu Bad Kissinger, e sua resolução em puxar o gatilho começou a falhar, ainda que não quisesse demonstrar.
"Aliás, você não tinha outra prioridade, tipo... resgatar a guria lá?" - Kissinger finalmente baixou a arma, e quando Dani achava que tinha apagazido os ânimos de seu carrasco, ele levou um chute nas costelas, e em seguida Kissinger sentenciou gravemente: "Você vem comigo. Vou decidir mais tarde o que fazer contigo".

Em sua grande fazenda, o Coronel recebia a visita de um importante juiz da região, para beberem um mate e falarem de amenidades. O convidado nem imaginava que sob o mesmo casarão, a pobre Frida estava acorrentada, à mercê de seu odioso captor, que estava ponderando sobre amarrá - la aos trilhos de um trem ou alguma outra escrotice parecida. Lhe ocorreu também vendê - la aos bugres.

O pequeno exército particular de jagunços rondava a propriedade, o que trazia algum conforto ao magistrado em meio àquela região de camponeses revoltados e bugres bárbaros. Os dois ficaram tagarelando na varanda do casarão, até o assunto ser abruptamente interrompido pelo barulho de um disparo, seguido do grito surdo de dor de um jagunço atingido pelas costas e morto.
Todos os homens do Coronel se mobilizaram enquanto ele correu acovardado para dentro de casa, trancando o juiz apavorado do lado de fora.
O atirador continuou a atacar os capangas, enquanto eles disparavam desajeitadamente vários mosquetes, rifles, escopetas e pistolas. Estavam acostumados a assassinar e intimidar pessoas completamente indefesas, e não a revidar.
A mira de Bad Kissinger era impressionante; de sua posição protegida em um dos cantos do casarão, seus tiros certeiros arrancavam escalpos; os jagunços morriam que nem moscas. Mal desperdiçava balas, mas não teria muito problema se desperdiçasse, pois trouxe um monte de munição.

Em meio ao alvoroço de tiros e gritos de dor, o juiz estava rastejando pelo chão da varanda, suando frio achando que uma bala poderia acertá - lo em qualquer momento. Ele se aproximou de um dos capangas mortos e se armou com o revólver despejado ao lado do corpo. Seu coração errou várias batidas, quando se atirou afobadamente contra a parede do lado do qual Kissinger atacava, vendo mais uns dois homens do coronel morrerem alvejados. Ele se arrastou grudado à parede, com a mão que segurava a arma tremendo, chegando cada vez mais perto do atirador, os disparos da pistola cada vez mais altos no seu ouvido, e a tremedeira ficava cada vez pior; o juiz estava eletrizado.
Então ele virou e cegamente disparou contra Bad Kissinger, que foi surpreendido. Um dos tiros passou raspando de estourar a cabeça dele, e em uma fração de segundo, Kissinger meteu três balas no bucho do juiz, que berrava horrivelmente de dor, agonizando. Ele sangrou até morrer.

Depois de um pouco de mais de troca de tiros, todos os capangas do Coronel estavam mortos. Ele estava se escondendo dentro do casarão escuro e fechado, e logo que ouviu o tiroteio longo e infernal acabar, ele saiu bruscamente pela varanda, impunhando um revólver .45 de cano longo ricamente ornamentado em cada mão, desafiando o atirador misterioso aos gritos: "Venha me enfrentar, desgraçado! Ter vindo aqui foi seu último erro!" - o coronel estava furioso e desorientado, seja pelo desespero ou pela densa fumaça de pólvora. Ele nem percebeu Bad Kissinger o espreitando com passinhos de algodão, sorrateiramente como aprendeu com os bugres, e um tiro na nuca terminou o reino de terror do Coronel.

Kissinger invadiu o casarão agora vazio e libertou Frida dos grilhões da minúscula masmorra que se encontrava, e a levou nos braços para longe daquele amaldiçoado lugar, escutando os louvores dela, de "meu herói", e ao mesmo tempo mantendo sua boca o mais distante o possível da dela. Ele a carregou até onde estavam as montarias, e ela só achou um pouco estranho quando viu Dani Boy, cheio de hematomas e um olho roxo, amarrado de bruços às costas de um dos cavalos.

Eles a levaram de volta para a cidade, e Frida disse que estava eternamente agradecida a Kissinger por ter salvo sua vida, que jamais poderia retribuir tamanha bondade, mas se sentia super atraída por caras corajosos e machões como ele. Mas Kissinger estava bastante desconfortável, pois se a beijasse todo aquele discurso ia pelo ralo e ela iria repudiá - lo por completo. Depois de um longo momento sem-jeito, ele disse que não poderia ficar por ali, pois seu destino era vagar a terra, e aí lhe deu um abraço amigo e um cordial aperto de mão. Frida ficou com os olhos cheios de lágrimas enquanto observava Bad Kissinger e Dani Boy cavalgarem em direção ao pôr do sol.

Ao cair da noite, Dani ainda aguardava a decisão de Kissinger em relação a ele, com a expectativa angustiada de que lhe concedesse misericórdia, que tudo foi apenas alguma coisa da qual pudessem rir mais tarde. Mas não era o que o olhar extremamente severo de Bad sugeria.
Cavalgaram até perto de Brokeback, onde amarram as montarias perto de um casebre de luzes acesas isolado  no meio do nada, pintado de cores berrantes. Bad Kissinger o libertou das amarras e os dois entraram no estabelecimento, do qual Dani Boy não gostou nada da aparência no interior. Encostado à parede estava um travesti ocioso que Kissinger abordou, mas Dani Boy logo alertou: "Cuidado, Bad! Não se deixe enganar! Ela não é o que aparenta ser!" - mas ele nem deu atenção. Os três entraram em um dos quartos mal - cheirosos, e Bad trancou a porta. Dani estava cada vez mais apreensivo; sem saber o que estava prestes a acontecer. Sem nenhuma cerimônia, Kissinger virou o traveco de frente e arriou as calças dele.

"Meu deus, Bad! Que horror! É nojento demais!" - protestou Dani, que em seguida tossiu muito, em um esboço de que iria vomitar. Ele se virou e viu Bad ajoelhado de frente para o meio das pernas do traveco - "Bad, o que você está fazendo?! Não, não faça isso! Bad! Não! NÃÃÃÃÃÃOOOO!"

E agora Bad Kissinger não era mais BV.

Epílogo: Agora que tinha resolvido a questão do beijo, ocorreu a Bad Kissinger que ele nunca transou. Isso o deixava bastante inseguro com as mulheres, então ele decidiu tomar providências a respeito. Ele cavalgou até aquele mesmo lugar, foi traçado por um cara e pronto! Ele não era mais virgem.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Boa fé, Rampeiro

Tudo começou há muito tempo, em uma terra de lendas e sonhos, chamada Urca, que não era uma terra de merda. Lá o mendigo sonhava, e se você jogasse duas facas nas nucas de dois artistas marciais mistos, seriam dois merdas a menos.

Lá, o Rampeiro da Boa Fé se rejubilava pelos campos. Ele se chamava assim porque "rampeiro" em Porto Rico era uma gíria do submundo da prostituição grega. E ele foi preso por incentivar a prostituição usando esse apelido pra cima e pra baixo. O que foi bom, porque ninguém gostava dele. Ele usava essa denominação imbecil porto - riquenha porque era um impressionável que pagava pau pra tudo do estrangeiro; podia, sei lá, usar "Quengo da Boa Fé" ou algo mais nacional; era um tremendo filho da puta detestável que só era humilde e simpático quando se tratava de gurias e superiores, e um mobral que tinha um tumblr cheio de imagens de caveiras e bigodes, e ainda usava uma máscara de caveira cheia de calombos. Talvez em virtude disso, ele jurava por Deus que luta olímpica contava como luta de verdade, e comia uma marca artesanal de "cookies", o que significava que ele pagava R$ 8 para comer 1 (uma) bolacha, sendo que com R$ 2 ele pode comprar um pacote inteiro de negresco. E de boa fé ele não tinha nada.

E agora, o Rampeiro da Boa Fé estava numa cela fétida e superlotada, esperando que poderia formar uma banda de metal melódico, com os camaradinhas da nona série. Ele queria escrever músicas, mas não tinha o talento necessário. Só tinha a paixão interior, a mesma paixão que sentia por Fahkuhr, a princesa da micção noturna. Quando ele passasse pro regime aberto, ele ia chegar nela com muita ginga e muito assunto, coisas que uma mulher gostaria de ouvir, do tipo: "e aí, você gosta de luta olímpica?".

Só que Fahkuhr não estava solteira, não. Ela estava namorando Anderson "Bebê", o policial militar! E ele acabou descobrindo que o Rampeiro estava tendo contato com ela no chat do facebook e estava de gracinha. Então Bebê ficou furioso! Que porra era aquela? E por que esse boçal se denomina Rampeiro da Boa Fé? Era algum super - herói? Super - herói ou não, ia dar uma lição nele.

Enquanto isso, Rampeiro sonhava com um encontro com Fahkuhr, pois ela pareceu super simpática quando ele perguntou se ela não queria uma hora dessas passar lá na penitenciária, pelo facebook que pegava direitinho na prisão, culpa dos petralhas. E no dia da visita intima, Rampeiro achou que seria mais uma vez em que ninguém do mundo exterior passaria por lá, mas, no fim das contas, quem deu o ar da graça foi Fahkuhr, de todas as pessoas!
Ele deu o 'abraço amigo' que ele dava nela antes de ser condenado e os dois entraram na cela, tinham muito para pôr em dia. Rampeiro sorria abobadamente enquanto olhava a amada Fahkuhr em todo o seu esplendor. Mas, para a enorme surpresa dele, ela agarrou o próprio rosto e o tirou como uma máscara! Ele gritou, assustado: "Fahkuhr? O que é isso? O que está acontecendo?!" - E ele havia sido enganado; Era Bebê!

A paúra congelou Rampeiro contra a parede. Ele estava chocado de estar diante de Bebê, nunca imaginou que fosse do tipo ciumento, quando ele acusou: "Tá de amiguinho da minha mina, tá? Você é viado por acaso?"
"- Não, não! Ah ops... quer dizer sim, sou! Sim, muito! Eu sou! Eu sou!"

Mas ele não se deu por convencido. "Me contaram que  você até encoxou ela! Vou arrancar sua cabeça e enfiá - la no seu reto!" - "Não! Espere! Podemos conversar!" - Mas Bebê estava tirando as roupas com um sorriso maligno no rosto. "Ei! O que você está fazendo?!"

Mas então Bebê afundou o punho na boca do estomâgo do Rampeiro, que caiu de joelhos, gemendo de dor. E então mandou ele se ajoelhar e conversar com o troço dele; ele disse ao Rampeiro que gostava quando Fahkuhr e a mãe do Rampeiro faziam isso.

O Rampeiro da Boa Fé, com o rosto vermelho de choro por causa da humilhação, perguntou pro troço se ele tinha visto os últimos episódios de Game of Thrones, e desatou a soluçar. "Engolhe esse choro, filho da puta!" - E bateu repetidamente com o troço na cara do Rampeiro, cada pancada que parecia o Apollo Creed. E depois ele pegou uma .45 no bolso da calça e deu um tiro na rótula do joelho do Rampeiro, que urrou de dor e chorou mais ainda, que bichinha. O barulho do tiro ecoou pela prisão inteira, assim como o grito de dor, mas ninguém saiu correndo pra ver o que era... E ainda nem questionaram o absurdo de trazer uma arma de fogo pra dentro daquele lugar, que deveria ter sido retirada na revista, mas Bebê molhou a mão dos guardas para não encherem o saco dele enquanto atormentava o prisioneiro.

Ele agora pulava com o corpo inteiro em cima de Rampeiro em cima do colchão vagabundo. Ele ria da desgraça da vítima! E foi uma descoberta muito chocante para Rampeiro: apesar de ele ser militar, ele era de esquerda! Por isso Bebê dizia: "Vou te mostrar reforma agrária! Vou te mostrar Noam Chomsky! Vou te mostrar o que é PT! Vou te mostrar o que é PSOL! Vou te mostrar...

Mas então o rosto de Bebê inchou horrivelmente, e sua glote se fechou! Ele havia esquecido que era alérgico a látex antes de usar aquela máscara, e assim ele sufocou até morrer. Rampeiro mal conseguia acreditar que estava a salvo daquele descompensado.

Ele aproveitou para sair da cela entreaberta, e notou que não havia nenhum guarda por perto. Só instantes depois descobriu que aquele tiro desencadeou uma rebelião no presidio! Os presos agora lutavam pela liberdade e um heavy metal muito do ruinzinho, mas não sabiam o que estavam prestes a enfrentar! Haviam os 7 Carcereiros das Chamas Infernais! Eles serviam apenas a um mestre!

O Rampeiro se mostrou extremamente valente enquanto tentava se defendia dos sete demônios, mas logo os rebeldes se desencorajaram quando seu líder, Leão Lodo, líder de uma banda de metal que segue subgêneros extremamente artificiais e não consegue fazer músicas que não sejam medíocres e preso justamente por isso, foi decapitado por eles. Suas últimas palavras foram: "Ah, eu queria muito Londres e starbucks!". E os coleguinhas de nona série do Rampeiro foram executados friamente por esses Carcereiros que ainda faziam a pirraça de engravidar homens do sexo masculino viris.

Não havia mais nenhuma chance, a não ser a fuga! E então ele fugiu pelos portões principais, tendo que evitar as chamas conjuradas pela magia negra dos 7 Carcereiros, cachorros, francoatiradores cujos tiros passavam por um fio de arrebentar sua cabeça. Depois de correr ensandecidamente por vários quilômetros, ele enfim sentiu como era estar livre de novo. Mas claro que ele iria voltar para aquele presidio, era praticamente sua casa. Especialmente agora que estava incendiado.

Mas agora ele iria cavalgar pelas planícies, e buscar inspirações pro metal poser que ele procurava compor; mais interessado em como iam ser as capas dos álbuns do que qualquer outra coisa. Inclusive uma música sobre um templário que vira "du mal" com bombas atômicas, com melodias plagiadas do Manowar, que ele mesmo pretendia cantar, sendo que ele não conseguia nem cantar "parabéns pra você".

 E então o cavalo que ele cavalgava se revoltou contra ele e os petralhas no poder, e atirou ele no chão, que caiu de rosto nas pedras recortadas. Certeza que ia infeccionar.

Moral: Não acredite na propaganda; é uma continuação.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Um estouro de fogo do Sol

O dia começou com um estouro de fogo de sol através da janela atingindo a cara cheia de ressaca de Spi. Ele tinha acordado às 11 da manhã, e iria evitar a qualquer custo os beijinhos na nuca de um mesário voluntário.

O cheiro de bunda suada invadia as narinas enquanto ele usava sua luva de Michael Jackson para
mexer no computador; ele quis dar uma trégua no facebook sifilítico e foi ver seu orkut, se alguém tinha deixado um depoimento pra ele. Ao entrar no decadente site, Spi viu que havia um recado para ele. Torcendo para que não fosse um desses html cheios de aids, ele foi ver do que se tratava, e percebeu que era uma oferta de serviços de prostituição. Por mais abandonada que estivesse a rede, o pessoal das putarias não sabia quando parar.

Denominado como "liberal transudo 100% sacanagem", o ofertante se apresentava a Spi como "liberal, dinâmico, inovador, esforçado, sabe mexer no Prezi" e oferecia "muitas safadezas" em um ambiente discreto, 24 horas, aceitando todos os cartões menos os de refeição. Não interessado, Spi estava prestes a deletar o recado, quando algo na foto de perfil lhe chamou a atenção. O sujeito estava pelado, de costas e enconstado com as mãos na parede, e na base das costas havia uma mancha com detalhes para os quais Spi precisou de visão além do alcance. A mancha curiosamente tinha a forma de uma senhora japa sendo esfaqueada por um pipoqueiro traficante.

Spi estava chocado, mal conseguia acreditar no que via, pois aquilo só podia significar uma coisa: aquele era seu filho, há muito tempo esquecido, Tamal Vadane, que ele teve com seu relacionamento mais longo, uma vez que esteve no Taiwan. Agora, o que Spi estava fazendo no Taiwan? Não se lembrava de nada importante que Mestre lhe havia mandado fazer por lá, nenhum motivo aparente, talvez ele fosse uma dessas pessoas que fazem o que dá na telha, talvez ele fosse imaturo, ou alguém que cria livre e mentalmente programas, histórias e itinerários, sendo provavelmente um grande boiola, e um irresponsável de merda. Mas irresponsável mesmo ele foi quando teve Tamal com a mulher e queria dar o nome de Daniel para a criança. Mas ela não quis, e então Spi disse: danem - se vocês, e os abandonou no Taiwan, para onde não se sabe por que ele foi, pra começar.
Ao rastrear o email fornecido no perfil, Spi viu que Tamal não estava no país nem no Taiwan, o que apagava as expectativas de descobrir o motivo daquela viagem distante... Seu filho estava em um terceiro mundo, e pra lá Spi foi, ainda assombrado pela lembrança turva e a descoberta de que seu único filho estava envolvido com ignomínias e perversões. O remorso lhe corroía por dentro; se foi por culpa do Serviço, ele o abandonaria para sempre, e se Tamal estivesse usando o sobrenome dele, iria matá - lo.

Spi chegou em uma cidade costeira daquele terceiro mundo, em uma praia na qual veios de lixo hospitalar escorriam mar adentro, e nas ruas as crianças brincavam de dar tiro umas nas outras com munição de verdade, uma fofura. Era um terceiro mundo próspero sem Estado, pois o Poder Executivo foi decapitado. Literalmente. Depois dessa, toda a população desenvolveu uma tara por decapitação. Até nas telenovelas, que cada capítulo tinha 9 horas de duração, tinha decapitações a rodo, na mesma quantidade que as novelas da Globo tem personagens que não sabem quem são os verdadeiros pais.

Haviam prostitutas que ostentavam dotes falsos fornecidos por roupas cretinas com gavetas, e perguntavam pros clientes a respeito de tópicos do universo de Senhor dos Anéis: "quem são os haradrim?", "Quem é o Madril?". Tudo o que as mulheres queriam eram aventura, mas a esmagadora maioria dos maridos, pelo que Spi constatou, eram alcóolatras que não estavam sóbrios nem quando acordavam, e propensos ao crime. E a aventura então era escapar de um esquartejamento.
Spi teve a infelicidade de entrar em contato com as milícias locais quando entrou em um bar arrebentado e impregnado de fumaça, procurando algo sem álcool para beber. O atendente disse que era impossível, pois até a água da torneira tinha álcool. E os milicianos arrastaram Spi para fora do estabelecimento, segurando - o sob mira de submetralhadoras, e para dentro de um carro suspeito.
Se livraram da arma dele e o levaram para uma mansão empoleirada na encosta bem hipster. Ele foi levado até um gabinete, com pornografia de aranhas por todos os lados, aranhas completamente nuas, onde foi recebido com uma voz ganiça que disse: "Ah, Spi... Finalmente você está aqui". O dono da voz se virou em sua cadeira oval giratória, que era uma escrotice, tal como colocar a marcha imperial como toque de celular.

Seu nome era Dândi Créu, magnata, um pigmeu que pertencia a uma máfia multinacional que controlava o comércio de álcool e prostituição, e que havia dominado aquele país por completo, e que ademais falava de seus conhecimentos irrelevantes, como nomes de músicas do Eminem ou o enredo completo de Madagascar 2. Dândi estava contentíssimo de seu plano ter dado certo, pois ele havia aspirado se tornar um vilão desses que tem planos complicadíssimos que dependem de probabilidades completamente aleatórias que dão certo porque sim. Porque se não, não teria história e ele morreria de fome esperando seu plano se concretizar.
Ele ofereceu para que Spi trabalhasse para ele. Spi perguntou 'como assim?', e ele respondeu que conhecia dos hábitos de promiscuidade de Spi, e tinha a prova viva disso. E mandou Tamal Vadane entrar.

Ele veio vestido com roupas indecentes, acompanhado de um gorila, mas não um gorila qualquer, era um gorila inteligente e simpático que falava, cor de caramelo e bigode de mulher. Ele que volta meia estava com uma baronesa dos Vingadores que queria porque queria bater na genitália dele com um bastão de tocar gongo. Uma vez ele fez saudações nazistas na rua e passou a noite na delegacia.
Se dizia quadrinista, enquanto o que ele fazia eram imitações medíocres de personagens famosos, sob medida para impressionáveis que pagam pau para coisas 'semidesconhecidas'. Ele tinha o Liefeld como referência suprema e emprego garantido na Júpiter 2.

Spi perdeu todo o sangue frio quando viu Tamal novamente; os testículos dele foram substituídos por bolas de sinuca, assim como seus olhos. Ele disse: "seus olhos morreram mas você vê mais do que eu; Daniel, você é uma estrela na cara do céu". Tamal Vadane respondeu: "você queria colocar meu nome de Daniel só pra dizer isso, né?" - e Spi disse: "não, é que eu acho bonito o nome" ... "mas, na verdade, foi sim" - finalmente cedendo.

"Minha mãe falou bastante de você. Ela me disse que quando ela te conheceu, você estava em uma missão para dar uma surra em usuários de próteses, que usavam muitas próteses, até de cabeça. Ela disse que era a forma curiosa pela qual você se referia a 'manequins'. Assim você se determinou a acabar com todos eles desde que os viu nas vitrines do centrão, sem roupas, e acreditou que não passavam de comunistas que orquestraram tal atentado ao pudor para subverter os valores da família. E era tudo freelancer; Mestre nunca tinha te autorizado para isso, ainda que você desviasse a estrutura do Serviço para esse fim. E muitos manequins encontraram o destino em suas mãos.

Na pista de uma etiqueta, vocês dois foram até o Taiwan para acabar com aqueles manequins miseráveis, e você já tinha a engravidado. Ela te avisou e você reagiu com um pouco de estranheza, mas continuou de boa. Mas então você abandonou nós dois por um motivo perfeitamente besta, sem amparo! Cresci sem nunca ter visto você! Passei a achar que você não passava de um filho da puta, mas minha mãe disse que eu nunca poderia falar algo assim de você, que eu lhe devia todo o respeito e que era um modelo de pessoa! A única que ela amou de verdade, e o único que falou em detalhes informações classificadas de 'somente para seus olhos' do Serviço Secreto, por amor! E então um dia os fabricantes de manequins decidiram se vingar indiretamente das depredações praticadas por Spi e envenenaram a comida dela o único dia que ela foi comer fora, aqueles infames, os odiosos maniqueístas!

Sem qualquer estrutura, passei a dormir ao relento e vender artesanato na praça. Coube a Dândi Créu me tirar da sarjeta e me colocar nesse trabalho! Começou com perversão de crianças, mais com o tempo se tornou mais fácil! Enfim, graças a você foi coagido a me prostituir, seu trolha!" - disse Tamal, com a dor não transparecendo por seus olhos não-uniformes de bola de bilhar, enquanto ele falava com uma viga de madeira na direção oposta a Spi. Spi o repreendeu com raiva: "filho meu tem educação e fala olhando pras pessoas!"

Aquilo era demais para a cabeça de Spi. Ele sempre tinha dado um jeito de fugir da culpa, de que essa memória permanecesse apagada. Agora ele sabia porque ia tanto em baladas do pessoal de artes de marketing, cheias de artifícios retardados bolados por moleques criados sozinhos pela avó, e dava vexame com "cupcake alcoolizado", pra acordar às 11 da manhã com muita roupa vomitada deixada de lado. Mas ele iria precisar reprimir as memórias de que esteve em um lugar cuja ideia de balada é servir cupcake com alguma outra coisa.

E agora Tamal Vadane, por mais requisitado que fosse, era o objeto sexual preferencial de um grande gorila, que tinha prerrogativas sobre ele. Spi esperava que fosse um namorado, mas por ser um gorila superinteligente talvez ele também tivesse assunto pra um churrasco de domingo.
"Então, agora que me certifiquei de que se trata realmente de você, Spi" - disse Dândi com sua boca enorme e obscena - "àquela oferta de trabalho. Queremos você como touro reprodutor".

Spi percebeu que a situação ia ladeira abaixo.

"Temos um problema grave aqui no nesse país."
"Pelo menos é só um..."

Dândi disse que justamente era a taxa de nascimentos negativa. Tudo indicava que a força reprodutiva da população se diluía entre o grave alcoolismo epidêmico e frequência a bordéis. Logo a população nativa deixaria de existir para dar lugar aos imigrantes e refugiados que já estavam à espreita para tomar conta do lugar, enquanto que as prostitutas perguntavam: quem são esses? E cabia a Spi, com seu jeito mulherengo, reverter esse quadro com as esposas daqueles que viviam caindo de bêbados.

Mas Spi via através das mentiras de Dândi. Não tinha déficit de natalidade nenhum em face dos imigrantes, a população crescia, tanto que as prostitutas estavam aceitando filhos como pagamento. E Dândi queria que Spi fosse só nas 'clarinhas', porque de 'escurinhos' já tinha bastante, e tava mais certo clarinhos que escurinhos. Era um projeto de ditadura fundada em ódio racial, mas se dissessem para Dândi se era isso que ele queria, ele iria responder que não, ele não tinha nada contra negros, que tinha muitos e o país era muito diverso e tal.Quanto a isso, Spi perguntou: "e por que isso te interessa, Dândi? Você é um comerciante, você não faz distinção, e quanto mais tiver pra você, melhor." - "Ah Spi, mas agora se preocupar apenas com lucro é coisa do passado! Agora é fair trade, preocupações sociais, ideologia! Não importa o que eu faça, foi o que eu escolhi para acreditar! Uma ideologia que quero acreditar!"

E se Spi aceitasse o cargo de touro reprodutor, de qualquer forma, o país ficaria cheio de Tamal Vadanezinhos, e se tornariam todos psicopatas que colocam o amiguinho amarrado com a cabeça nos trilhos do trem. Para Spi, autoconhecimento era tudo.
"Se eu recusar sua oferta?" - E os guardas apontaram as armas pra cabeça de Spi, e Dândi disse: "Então vou adiantar seu reencontro com a mãe de Tamal". Nesse instante Spi olhou para o filho, afetando completo desgosto apoiado no cangote do gorila, mas no fundo era apenas dor interior. Ali, ele estava na miséria.

"E se fizermos uma troca, Dândi? Você deixa Tamal Vadane ir embora com uma maleta cheia de dinheiro, e nunca mais tem contato com ele, nem você nem seus associados, e eu mesmo me torno a... namoradinha do gorila." - Dândi Créu escancarou a boca diante de tal sugestão. Ele hesitou por uns instantes, mas a proposta parecia péssima pra ele. "Se recusar, não precisa mais se preocupar porque não vou inseminar mulheres como você quer. Pode até me executar se quiser, porque não vou mesmo."

Dândi Créu cedeu diante do blefe, e libertou Tamal Vadane, por mais que o gorila protestasse raivosamente: "que porra é essa?" - lhe deram uma maleta de dinheiro e deixaram ele escolher uma criança chinesa de sua prefêrencia. Tamal escolheu uma gordinha e antes de sair da sala, se virou e gritou: "acha que pode me simplesmente comprar sua redenção desse jeito?! Nunca vou esquecer o sofrimento que me trouxe!"

E agora Spi pertencia a Dândi Créu. Ou mais especificamente, ao gorila. De sujeito de sexo, ele passou a ser objeto de sexo, internado na mansão. Nos intervalos de arregaçar Spi, o gorila trabalhava em suas criações em quadrinhos e voltava para mostrar os resultados a ele, que davam vontade de arrancar os próprios olhos. E a única comida que ele recebia eram rações de cupcake alcoolizado com pregos e rebites de recheio. Àquela altura, a morte seria uma misericórdia, mas Spi jurou que iria escapar um dia e rever Tamal Vadane, e finalmente corrigir suas falhas.

Na calada da noite, o gorila dormia abraçado apaixonadamente a Spi, que não conseguia dormir e tremia sem parar, só porque sua dignidade estava morta. Ele tentava olhar as manchas de vaselina na parede para se distrair, até o momento que o gorila se virou e libertou Spi. O mais sorrateiro que conseguiu, Spi deslizou para fora da cama e começou a revirar o bolo de roupas que o gorila deixou no chão. De repente, ele encontrou o que procurava, no interior de uma jaqueta de couro amassada: uma .22 carregada. Ele se aproximou da cama e encheu o gorila adormecido de tiros. Seus gritos de morte foram horríveis, eram quase humanos.

E foi só depois de matá - lo que Spi percebeu que não era um gorila, e sim um cara que parecia muito um gorila, muito mesmo. Então ele quebrou a janela com a coronha da arma, e correu para sua liberdade através dos jardins, após uma queda dolorosa do segundo andar.

E assim Dândi Créu perde Tamal e seu melhor cliente, e não conseguiu mais pagar suas dívidas, então seus sócios executaram ele e o enterraram numa cova rasa. E na primeira oportunidade, Tamal Vadane deixou a criança num cesto na frente de um puteiro.




terça-feira, 17 de junho de 2014

Cara de Crasso

Tudo  começou há muito tempo, quando Spi foi chamado mais uma vez ao escritório de Mestre, a diretora do SBIOI (Serviço Brasileiro Inteligente e Ótimo de Inteligência, de seguridade social), que agora era uma velhinha. Mas dessa vez não se tratava de favores corporais, não...

Spi deveria ir atrás de um assassino que vendia os pais, alguém com estranhas ligações ao país, o que cara que não manjava porcaria nenhuma ao alardear que gostava de cerveja escura quando ele nunca tomou um gole sequer de bebida alcóolica, mas leu na Men's Health que isso fazia dele "um cara interessante". Um cara que seria nocauteado, isso sim.
A propósito, ele estava fraudando os planos de previdência privada de todos os funcionários do SBIOI, que eram regalados com vasto prejuízo e o choro das criancinhas e bichos de estimação.

Tudo indicava que o sujeito em questão trabalhava para Cara de Crasso, um sujeito muito maligno que tinha cara de demente cujo cérebro é cheio de larvas de mosca varejeira, com fiapos de baba escorrendo pelos cantos da boca. O motivo dele ter aquela cara de pateta é que um sábado ele estava de boa em casa, assistindo o Caldeirão, com as reações esperadas: "nossa, esse Luciano é um cara muito legal, não me canso de ver! Ele faz altos projetos sociais, paga meio salário mínimo pros pobres! Meu herói! Ele coloca neon nos carros de pobre e faz eles pagarem em um milhão de vezes com juros, hurr! Foto de café da manhã no Instagram, hurr! Hurr, se tivessem matado ele num assalto, o país inteiro ia parar e iam anunciar no Jornal Nacional, tudo a vê! hurr durr! Esse programa é muita cultura! Soletrando! hurr!" - e a janela da sala estava aberta, bateu um vento e o rosto dele ficou parecido com a expressão esboçada pelos fãs do programa.

E agora Cara de Crasso vivia fazendo trambiques com uma gangue especializada, e agora que o SBIOI era afetado, era problema do Spi. Ele tinha investido naquela previdência deles, jurava que tinham convênio com eles! "Porra Spi! Você deveria saber disso! Veio falar comigo semana passada! Agora se arranca daqui!" - mais do que nunca, ele precisava encontrar qual era o membro do SBIOI envolvido com tamanha filhadaputagem financeira, porque sempre tinha algum insider dentro do networking, de acordo com as aulas da escola de empreendedorismo jovem que o permitiram ser descolado e tomar caipirinha de morango batida, não mexida, na balada indie.
Mas, enfim, ele ia continuar sem saber, porque ele não lembrava mais do nome de ninguém; e nunca mais participou dos amigos secretos da firma depois de ganhar um carro à vela de chocolate, sendo que na vela tinha um desenho enorme de um pênis.

Mas havia alguém que ele conhecia. Sarnela, a modelo que persuadia com a aparência patética todos a se tornarem parte do golpe, como foi no caso de Machado, o cuidador do estacionamento que cuidava do Spi sobre Rodas de Spi. Machado jurava que Sarnela o amava, por mais que ele fosse uma besta e corruptor de menores. Spi foi até ele e pediu o telefone da mulher, e Machado primeiro se ouriçou perguntando por quê, e então ele respondeu que era pra investir "naquele plano maravilhoso de previdência privada deles; era bárbaro, tinha benefícios de montão; se eu fosse você, ia e aplicava todo meu dinheiro nele". E Machado, além de consentir com o conselho, passou os telefones, embora nunca se livrasse da suspeita de que Spi queria mesmo era furar o olho dele em relação ao filezão que era Sarnela. Mas tudo bem, ele se garantia bem.

Sarnela trabalhava há muitos anos como modelo, com o modelismo de mãos da modinha. Ela trabalhava nas forjas siderúrgicas da criação, antes do trambique todo, e era a típica pessoa que tirava foto de um vinho "primitivo" nas redes sociais, com descrição em italiano, não obstante. E daí? E daí que se ela fosse homem, seria um homem que confunde travestis com mulheres.
Ela engravidou na adolescência como aprendiz de entregadora de leite, e hoje ela mantinha o filho eternamente em intercâmbio nos EUA, além de ter um jaguar na garagem de uma casa de luxo, e 30 frangos na panela simultaneamente. Tudo graças ao Cara de Crasso, com suas ligações a políticos. Quando inquirida, ela dizia que a grana vinha do modelismo.

Então Spi foi ao encontro de Sarnela, sob pretexto de consultar a opção de um upgrade daquele plano. E Sarnela o recebeu com as formalidades de praxe, fora do telefonema com a voz do Enéias no qual Spi forneceu dados importantes sobre sua conta bancária e senha do orkut, para receber comprovantes fuleiros via email. Foi então que Spi fez a pergunta que ninguém deveria fazer: quem é o Cara de Crasso? A demora para responder acusou todo o esquema.

Ela o ameaçou dizendo para cuidar da própria vida, e se ele continuasse metendo o bedelho ela ia contar o terrível segredo da vez em que Spi trabalhou de travesti para ganhar dinheiro com os turistas! E enquanto isso, era pra aproveitar os descontos na anuidade que estavam ótimos.
E Spi disse que ele estava sendo roubado com aquela porcaria de plano, na cara dura. E como ela podia se sujeitar a trabalhar com um pilantra que nem Cara de Crasso. Mas o pior é que ela reconhecia isso, "mas ele paga as contas, de qualquer forma" - "Mas até quando, hein? Você está trabalhando duro pra caramba, usando sua aparência, enquanto que a Gorette que me atendeu no telefone está ganhando uma parte maior!" - e ela mal podia acreditar! Tinha saído para comprar roupa pra trabalhar! Havia orgulho ferido nos dois lados da sala. E Spi perguntou: "como eu derrubo todo esse esquema do Cara de Crasso?" - "Bom, você pode se tornar amigo dos mesmos politicos que o Cara de Crasso. Mas pra isso, você precisa ser judeu-comunista-maçom". - "Não sei, parece muito difícil. Aliás, deixa assim mesmo. Sou um superespião, não tenho que me ocupar com criminosos comuns..." - "Já contei que ela vai votar no Luciano Huck pra próxima eleição?" - "ONDE ELE ESTÁ?"

Sarnela disse que Cara de Crasso estava em uma serraria que funcionava também como academia de filosofia. Naquela academia, as tentativas de treinar uma chave de braço perto de uma serra circular terminavam em tragédia.

E então, antes de Spi ir embora, ele e Sarnela fizeram amorzinho numa cama de campanha em prol da derrota de Cara de Crasso, sendo que ela estava mais interessada em defender o dinheiro que lhe era devido. Os dois eram dois irresponsáveis, sem respeito dos pais. Seriam um casal horroroso.
E Machado, ouvinte de Epica que era, o seguiu até a serraria, negligenciando o dever enquanto deixava pivetes riscarem o Spi sobre Rodas, quebrarem o vidro e roubarem o rádio. Ele estava mordido de ciúmes! Sarnela deveria ser só dele!

Spi entrou na serraria vazia completamente apagada, e ele foi surpreendido com capangas fortemente armados! E lá estava Cara de Crasso, rindo diabolicamente de Spi com sua mandíbula tresloucada. Ele perguntou onde estava o dinheiro da aposentadoria dele, e ainda inquiriu quem foi o funcionário do SBIOI que se vendeu, que se aliciou! E Cara de Crasso disse: Você espera que eu fale? - e Spi respondeu: "Sim. Eu fiz duas perguntas e seria legal da sua parte se você respondesse.
"Pois eu não vou contar! E não vou chorar pelas decepções, agora que eu finalmente li Caio F. Abreu ao invés de atribuir a ele frases que me davam na telha! Olhe para você mesmo, Spi. Você nem é capaz de ser altruísta com seus companheiros do SBIOI! Sabe aquele Machado, que cuidava do seu carro? Agora ele está morto!" - "Não, impossível!"

Um incêndio florestal criminoso, iniciado por crianças em kimonos de judo contratadas pelo Cara de Crasso consumia tudo do lado de fora, e Machado foi morto numa cruzada. Ele estava lá no mato, aguardando Spi, dizendo a si mesmo que ele sim era um espião melhor que Spi. Mas ele se desentendeu com as crianças de kimono que o impalaram e destruíram a cabeça dele com uma pedra. Seriam adultos muito culpados depois. E foi sem dúvida uma morte selvagem.

"Ele queria estar com Sarnela, a mulher que você irresponsavelmente abordou, e aqui está ela, amordaçada e amarrada!" - Spi, quando a viu em perigo, gritou virilmente: "nããããão! -"E a única forma de salvá - la é empilhar doze copos se equilibrando numa bola durante 3 minutos! Muahahaha!" - Agora Spi via toda a influência maligna que a TV tinha sobre as pessoas. Tudo culpa dela, de mais nada. Por causa disso, ele jogou fezes no carro do Luciano. E partiu enfurecido para cima de Cara de Crasso, vingando o espírito de Machado, imobilizando - o completamente, batendo com uma telha na cara dele, levando - o para a perdição em frente ao maquinário da serraria, já pensando num obituário para pôr no facebook. E Spi finalmente disse: "Você sabe que ele não ajuda os pobres, não?" - "Ah, puxa, que decepção..." - E Spi o empurrou para as máquinas, e Cara de Crasso foi vitimado em explosões cheias de estripamento. Todos fugiram chorando, enquanto Spi desamarrava Sarnela, dizendo: "Meu nome é doctor Rey."

Sarnela disse que Spi era seu herói, e ela deu o nome do funcionário do SBIOI corrompido, em troca de um chuncho com a polícia para que ela não fosse presa. Spi a delatou do mesmo jeito e chegou naquele mesmo funcionário, que lembrava o aniversário de todo mundo, que fazia hora extra, que adorava uma palestra motivacional, o assassino traidor envolvido no esquema, necrófilo, que superestimava Distrito 9 como se já não fosse superestimado o bastante, e encheu a cara dele de tiro, dizendo: "Spi. Apenas Spi."

Mais tarde, ele descobriu que talvez Sarnela foi presa injustamente, porque ela teve sua identidade usada por uma modelo de pés em um esquema de fraude de previdência encabeçado por um cara que era o maior fã do Pedro Bial!

SPI VOLTARÁ EM "Um estouro de fogo do Sol"

Moral: Não ouça Epica.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Nascido para Nascer

Tudo começou, há muito tempo, em um centro de reabilitação para viciados. O processo era lento e doloroso para aqueles que tiveram a infelicidade de conhecerem o terrível gosto de serem dominados pelas pulsões mais primárias, seja por drogas, bebida, comida, ninfomania, música ruim...
O método buscado era ressignifcar a vida dessas pobres almas fazendo partos. Isso mesmo, levando todos os pacientes para uma maternidade para que realizassem os partos das futuras mamães. Claro, era um negócio muito amador, não era lá tudo aquilo em termos de qualidade... E tinha vezes que não dava muito certo, e a choradeira era diferente do que esperavam. Eles saíam pela cidade afora 'ajudando' a dar luz, causando tragédias pessoais e separando famílias de montão. Diante das injustiças e horrores da vida, é bom que haja artistas que reaproveitam mil vezes a mesma música, de tal forma que facilite a vida daqueles que a ouvem realizando distraídamente os partos para esquecer seu incapacitante vício em Grey Goose.

Mas então, em pouco tempo, o centro foi assumido por um ex - militar sádico, como se as coisas não pudessem piorar, e ele passou a dirigir o local com um punho de ferro. Ele se determinou a infernizar as terapias de grupo dos parteiros por toda a eternidade, para compensar o fato de que chegava sempre em casa e os filhos reincidentes tinham destruído toda a cozinha dançando funk e ele tinha que ter relações sexuais com Arcângela, que era uma barata gigante que acreditava que era deus e fazia ele engolir um monte de remédios enquanto dormia, o viciando para sempre.

Em mais uma sessão das 10 da manhã, ele passava pela frente deles com seu corpo de gafanhoto, trajando uma roupa criada a partir de toda a pornografia que ele via, que não era pouca. Entre o povo da sessão, estava Abinoã, o tigre que vomitava e que tinha um problema com bebida... Não que ele bebesse todos os dias, não, mas ele era desses que se embebedava com cervejas afrescalhadas de R$ 30,00, ao som de viking metal e bandas que são uma bosta, tipo corvus corax, ou qualquer palhaçada afetada do gênero, para pensar que era um medieval mesmo sendo criado a base de leite com pêra no apartamento da avó. E isso era uma questão de saúde pública.
Além de tudo, ele tinha uma pança recheada de vômito adstringente.

O milico chegou pro Abinoã, e perguntou qual era o nome dele, que por sua vez respondeu que era Abinoã. Ele disse que não aguentava gente chamada Abinoã, pois achava que esse nome pertencia somente a membros da realeza e marujos efeminados, ou membros efeminados da realeza que andam de barco... ele simplesmente não gostava do nome e pronto. E Abinoã começou a rir porque o militar era engraçadão, e ele por sua vez ele protestou dizendo que não tinha nada engraçado para ele ficar rindo que nem um demente, e vendo que ele não iria parar e que sua autoridade estava sendo minada, deu um soco na boca do estômago de Abinoã.

E no dia seguinte começou o treinamento para transformar todos aqueles infelizes em máquinas da obstetrícia! Uma vez ele perguntou: quem era Fulano da Silva. Só um conseguiu responder, dizendo que era o sujeito que entrou numa maternidade e realizou sem consentimento da equipe hospitalar ou das mães o parto de todas elas por cesárea! Muitos prematuros, o que consternou demais as mulheres que já tinham feito mapa astral pros filhos. E depois ele perguntou quem era Zé das Couves, e todos sabiam que eram o cara que fez o parto do filho do Luciano Huck com a Angélica, casal maravilhoso.

E então o treinamento que transformava carne em sangue e vice versa começou. Mas Abinoã era uma negação completa para os exercícios propostos, como esterilizar aparelhos e atleticismos absurdos; ele ficava apenas se perguntando quando poderia descer um rollmops ou uma empadinha absurdamente gordurosa com suas cervejas de metido a entendedor de alguma coisa, que apenas sonegadores de travecos se sujeitariam a beber.

Ele fez apenas um amigo durante toda essa empreitada, chamado Jamel, o único que o ajudaria a poupar sua sanidade. Graças a ele, Abinoã aprendeu a amarrar os cadarços, mas ainda assim era muito ruim no mma proposto pelo militar depois que ele cheirava meias usadas.

E nosso intrépido tigre passou meses sendo denegrido pelo sargentão que descontava os próprios problemas nele, porque ele já foi patético da mesma forma e continuava sendo, para estar relacionado a alguém como Arcângela. Houve uma vez, um dia muito especial, em que todos estavam fazendo um brainstorm de feedbacks de networking de cases de branding de concept para aqueles trocentos milhões de anúncios para toda vez que você pisa num cinema. Haviam monstros de merda por todo o lugar, e depois de bolarem um jingle esperto, o militar descobriu que Abinoã escondia empadinhas repugnantes no seu caixote pornográfico! "Nenhum ser humano decente comeria isso, porra!" - foi a resposta que Abinoã recebeu. O milico disse que ele havia falhado com Abinoã, e com todos eles! E agora todos seriam punidos! Sem dragon age, sem glucagon! E ainda obrigou Abinoã a comer todas as empadinhas acompanhadas daquelas versões diferenciadas da bohemia para trouxas comprarem, enquanto o obrigava a dar opiniões ignorantes sobre assuntos da sociedade e reconhecer que era um beberrão ridículo sustentado pela mãe, sem qualquer amigo, enquanto seus colegas eram forçados a pagar 20. Mil.

Eles ficaram com raivinha, e na noite seguinte eles se pintaram para a balada hipster alternativa, e sorrateiramente se aproximaram do beliche de Abinoã, o imobilizaram com um cobertor, e ficaram contando piadas do patati e patatá! E Abinoã riu tanto que a barriga dele começou a doer, e ele sofreu muito! E Jamel foi cúmplice nessa história toda.

Abinoã parecia realmente ser uma negação para parteiro. Seus questionamentos socráticos não estavam com nada. A única realização dele foi a melhor pontaria com a arma futurista do Iron Maiden (tm) de todos os tempos, o que não era pouca coisa. Mas Jamel achava isso particularmente estranho, pois Abinoã ficava conversando com aquela mesma arma futurista. E a afagando. E fazendo "certas coisas" com ela, enquanto os outros tentavam dormir.

E o militar finalmente reconheceu que Abinoã, afinal, não era um fracasso tão grande assim, e faz a maior festa com guaraná e coxinha, com a música que parecia fadada a sempre parecer que ia começar, e nunca começou uma vez sequer. Todos foram dormir com a barriga estourando de guaraná e risoles roubados, exceto Jamel que estava com uma baita azia. Ele foi no banheiro, e quando viu, lá estava Abinoã, com a arma futurista. "Oi, Jamel..." - disse com um tom um tanto perturbador. "Volta já pra cama! Se o sargento nos pegar, estaremos num universo de bosta! Seremos abduzidos como os filhos dele!" - "JÁ ESTOU... Em um universo... de bosta..." - e assim Abinoã começou a cantar alto pra cacete um rap tunisiano de frutinha, e todos acordaram para verificar a fonte daquela sonzeira sinistra que  falava das virtudes do suplemento. E veio também o gafanhoto militar, em pijama de gafanhoto, inquirindo o que era aquela droga toda do clube do mickey. E então viu que Abinoã estava armado, perigoso, e pelo ângulo parecia mais lagarto que tigre. Perguntou pra Jamel por que ele não tinha desarmado e pipocado Abinoã, e ele respondeu que não havia lhe passado pela cabeça e passou a chorar. O gafanhoto então, com sua retórica de reforma agrária, pediu que ele cedesse a arma agora, a arma que ele cobiçava, e escrevesse um universo fictício que prestasse, digno de um artigo da Wikipedia. Mas Abinoã ignorou, apontando a arma em sua direção, o que lhe fez berrar em fúria impotente: "Qual é seu grande problema, retardado? Acha legal gastar um salário mínimo num bar só com frescurada?!" - E Abinoã atirou em cheio contra o peito dele, e o esterno se arrebentou enquanto o sangue jorrava. Em seguida, ele introduziu a ponta ainda quente da arma na boca, e Jamel gritou: Abinoã, não!
Mas era tarde demais. Abinoã comeu a arma. Ele a levou para a boca, a engoliu e ia demorar pra digerir. Ele era tão inútil e pensava tanto com o estômago que comeu a própria arma.
 

domingo, 15 de junho de 2014

Spi: Tiro na Cara

Tudo começou há muito tempo, na vida de Spi, espião e amante, o brahmeiro espírita, o senhor dos anéis, o desequilibrado que entra sem calças na Hering, e ainda fica indignado quando chamam os seguranças para o expulsá - lo, justamente porque ele precisava comprar calças, ora essa. Seu maior sonho era abrir um parque de diversões que o eximiria de qualquer morte ou mutilação, mas enquanto isso ele tinha conversas altos filosóficas sobre pós - modernidade com mulheres com apêndices de Alien, que eram posers e nunca assistiram nenhum filme na vida, e bebia martini batido, não mexido, batido no liquidificador com sucrilhos.

E teve um dia que ele estava dirigindo, depois de tragar tal drinque exótico, numa estrada afastada, sem motivo exato, exceto que ele gostava de dirigir sem necessidade e parecia que o dinheiro estava sobrando, como se ele tivesse R$ 1.330.440,00 para completar um tanque se ficasse sem gasolina.

Mas de repente, ele notou que estava sendo seguido! Um carro vinha atrás dele, através das névoas da perdição, era Lucilene Senadora! Cujo nome era Jiujitsu! Tratava - se de uma mulher que ouvia new age dentro do carro para matar de sono todos os passageiros e era uma renomável assassina de aluguel, que Spi encontrava e de repente se sentia mal com seus hábitos de bebedeira absurda e de não dar seta. Ela esperava, sinceramente, que Spi teria uma crise de consciência e ele iria criar vergonha na cara e desistir de ser uma pessoa humana que nem gente, ao cometer o suicídio de fechar a porta nos dedos e cair de uma ponte. Seria a morte de um imperador, e o método mais eficaz de assassinato de Lucilene Senadora Ou Jiujitsu, junto com todas as colegas da agência de assassinatos obviamente freudiana (segundo o critério das mulheres com quem Spi 'conversava', que não manjavam porra nenhuma e achavam que falar "pizza" em relação a alguma coisa é engraçadíssimo, digno dos filmes que elas não viram).

Uma perseguição teve lugar, e por mais rápido que fosse o carro de Jiujitsu, ela ainda não alcançava Spi! Ela gritava: "Vem aqui! Vem ser anarcopunk que ouviu sex pistols ontem pela primeira vez! Vem ser cristão ambíguo! Vem ser..." - E Spi não aguentou e deu um tiro na cara dela, dando - o para trás. Era chato dirigir e ler crepúsculo ao mesmo tempo ouvindo aquelas coisas.

Ele parou o carro bloqueando as duas faixas para verificar a vítima de sua mortalidade. Ele se aproximou do carro e viu Jiujitsu com a cara arrebentada do tiro, uma fonte de chocolate com sangue no lugar do chocolate. Mas Spi gritou de surpresa e admitiu se urinar inteiro quando viu duas menininhas no banco de trás!
A culpa tomou conta dele completamente, apesar de estar em perpétua guerra contra o terror! Ele perguntou se era a mãe delas que estava "dodói" no banco do motorista, mas elas disseram que era só a motorista da escolinha. E o que Spi tinha feito com ela, elas disseram que aquilo elas aprendiam a fazer todo dia na escolinha, apenas para ouvir "ah, nossa", como resposta. E ele perguntou se elas tinham visto Frozen, porque as mulheres que ele conhecia não tinham visto.

Elas disseram que tanto faz, elas precisavam ir pra casa antes que anoitecesse e os terrores da guerra se tornassem cada vez mais profundos no subsconsciente dos homens. Alguém as tinha chamado de racistas também.
Mesmo sem saber onde ficava a casa delas, Spi decidiu levá - las. Ele gostava de viajar em silêncio, mas as menininhas colocaram a fita cassete de new age, com vários barulhos de pássaro. Ele perguntou se não tinha outra coisa, então colocaram a fita cassete dos "melhores jingles da Carniça Facão". Spi não teria percebido que eram músicas diferentes sem o encarte.

E a nova inimiga de Spi era Carniça Facão, junto com uma imitação de Han Solo. É que Spi tinha inveja de toda aquela capacidade de rimas que tinha rendido a Carniça o posto publicitário do supermercado Pão de Adoçante. Os que viessem com pseudorimas piores eram jogados num escorregador de gilete para dentro de um tanque de piranhas de propriedade dela. Ela explicava seus planos de dominação diabólicos naquelas mesmas pseudorimas para superespiões que nem Spi; sua trama muito diabólica era que todos os supermercados guerreassem entre si para que ela surgisse como um terceiro poder assim que todos tivessem sido exterminados.

O Han Solo paraguaio vinha com tapa - olho e acompanhava Carniça na ocupação de se prostituir para as máfias de todo o mundo, e se determinou junto com ela a capturar aquelas duas criancinhas, para serem reféns da máfia, mas principalmente porque estava no horóscopo dele no dia.

E novamente Spi passou a ser perseguido por sua cor e por estar com aquelas duas crianças sob seus cuidados. Ele deveria levá - las sãs e salvas para casa, mas na verdade ele iria até as montanhas do Afeganistão, onde Carniça se escondia, para ter um palavrãozinho da vida com ela. As perseguições eram engraçadas para quem não podia ver, e segundo o critério daquelas mulheres que Spi conheciam que transformariam um bordel num presídio, de acordo com as Indiretas do Bem. A graça estava no fato do pseudo - Han Solo e Carniça serem comicamente incompetentes na habilidade de rimar e capturar duas crianças de quem Spi cuidava tanto, apesar dele falar muito a respeito de reprodução humana na frente delas.

Nas horas sem perseguição, quando cadáveres de montão trilhavam o solo, Spi falava para elas de seu sonho de um parque de diversões, um mistério de sua vida. Ia ter um mini zoológico, onde o Senhor concederia o domingo para que todos fossem com a família dar cerveja aos macacos.
E aquelas duas meninas teriam um papel importantíssimo naquela terra de alegria, pois iriam capinar todos os 40 hectares de terreno com facões, sozinhas, enquanto Spi bebia martini e ficava de onda.

Uma delas falava que queria muito, mas muito, beber esse tal de martini, porque tinha visto o pai dela bebendo e rindo bastante, então devia ser legal. Spi ficou bastante sem jeito e quis rever seus hábitos. Mas sua missão de vida agora era derrotar Carniça Facão, trazer paz mundial e dizer à imitação de Han Solo: "você é dono da sua própria vida, você faz sua realidade! Diga não aos horóscopos!".

E então ele foi no boteco, beber bastante para comemorar algo que ele inventou na hora, antes de ir ao encontro de Carniça, enquanto as duas esperavam no carro quente. Ele voltou tão alto que tirou a roupa e quis vestir uma fantasia de princesa do dia da criança delas que estava no porta malas, e não conseguiu antes de rasgá - la completamente. Agora estava exposto indecentemente diante de duas fãs mirins de Nicki Minaj, e foi em busca da aventura. E foi só bêbado que lhe ocorreu passar em casa e deixar as duas crianças em casa antes de enfrentar o perigo.

Mas ele se perdeu e acabou entrando na Estrela de Guerra, pertencente a Carniça Falcão, que foi a pior coisa à qual Spi foi sujeito, pois foi uma modinha bolada pelas mulheres sem filmes para capitalização gloriosa. A Estrela de Guerra era um artefato bélico, e muito cult, com capacidade para destruir metade de um planeta, enquanto aguardava que a outra metade se destruísse sozinha.

Dentro das tripas hediondas daquela máquina de destruição em massa, Spi tinha que manobrar ardorosamente entre o esqueleto da precária infraestrutura de tampa de latinha e moleques imaturos frequentadores de blogs de humor que não passam de orcs que escutam Epica e portanto têm "cultura"; deveriam se envergonhar igualmente das outras porcarias do "metal sinfônico" que escutavam.
Ele estava bêbado, queria ser amigo de todos eles, e dizia "salvem - me daqui, porfa!" - enquanto a morte comia solta por ali. Ele não queria mais parar de beber, pois fazia tempo que não se sentia assim, que queria bancar o sabe - tudo da bebida alcóolica. E foi a última gota que ele tomou que o deixou semiconsciente!
Atrás dele estavam os moleques gritões, dizendo: "agora eu tenho você!" - e as meninas desesperadas no banco de trás gritavam! "Rápido! Tiro na cara! Rápido!" - bêbado como estava, Spi pegou sua minúscula pistola, e apontou para o próprio rosto! As menininhas gritavam: "não! Pelo amor de deus! Não!" - mas foi tarde demais. O tiro foi que nem um soco na cara de Spi, só que um pouco pior, e ele se tornou um só com o hipsterismo.

E elas passaram a gritar estridentemente enquanto o carro corria para colidir com uma estação de tratamento de fezes no interior da estrutura galáctica. E enfim a rota de colisão chegou ao fim, com a destruição do carro matando todos os ocupantes e uma parte crítica da Estrela de Guerra comprometida, voando pedaços de bosta para todos os lados, e separando completamente seus componentes em explosões ornamentais que erradicaram os ocupantes.

E o plano de Carniça Facão foi frustrado, e agora ela estava no seu esconderijo no Afeganistão, quebrando copos na cara do Han Solo fake para descontar a frustração. "Terei que bolar outro plano para prejudicar a concorrência!" - pensou. E a rua em que ela morava fazia terapia pra controle da raiva.

Epílogo: As mulheres com que Spi falava continuaram sem ver filme nenhum e jurando que tinham e que manjavam tudo deles, tipo "ah, o Vito Corleone é o personagem principal do poderoso chefão, né?" - e financiaram completamente a indústria de camisetas e estampas vagabundas, num fenômeno de banzingueirismo. E ficaram muito tristes com a morte de Spi.
Enquanto isso, a trilha sonora era péssima, encomendada para ignorantes completos, sendo que eram duas notas um monte de vezes, que nem Epica.

Moral: Não se associe ao crime; é feio.

Moral 2: Não subestime a bicha apesar dela ter pouca carne moída no cinturão de inutilidades.

SPI VOLTARÁ EM "CARA DE CRASSO"

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O Menino que Não Prostituiria seu Milho

Me deixe te contar uma história sobre milho, há muito, muito tempo. Havia uma palhoça repleta de barbeiros que pertencia a uma humilde família com 5 filhos que se dedicava unica e exclusivamente ao cultivo de milho. E passavam tempos difíceis, porque todo esse esforço dedicado à lavoura não os deixou necessariamente melhor agricolamente, pois a terra era cheia de garrafas quebradas e sais de fruta.
O pai deles havia morrido, e agora o sustento cabia ao mais velho da casa. Aquela morte tinha vindo do nada e havia lhe deixado completamente aturdido, perdido no mundo com muito mais bocas do que poderia sustentar. Fora que ele não entendia patavina de agricultura, pois havia desperdiçado tempo demais trancado no quarto vendo putaria na internet.
E lá fora estavam os pés de milho em toda sua miséria, infrutíferos, depois de terem visto as porcarias que a DreamWorks fez esses tempos, apesar dos esforços do menino, que mal davam o bastante para a subsistência familiar. Uns tiozões que imaginavam dragões na copa, e a propósito eram invisíveis, vinham pro guri e perguntavam se ele tinha cavalgado sobre um dos milhos. E ele dizia que por mais que ele tentasse, não conseguiria montar sobre um único grão.
Diante de tamanho insucesso, ele considerava uma medida realmente desesperada, que era de fazer seus milhos incorrerem na prostituição, de se tornar cafetão deles. Porque, sabe, existem pessoas licenciosas que adorariam realizar suas escusas atividades com millho. Não tem quem não goste de apreciar a natureza; ar puro, mata virgem, veja só que beleza.
Ele havia pensado nisso num dilema que o corroía por dentro... e no entanto, não. Por mais que às vezes o choro de fome de seus 4 irmãos menores fosse demais para ele suportar, ele decidiu não se  tornar um proxeneta de monoculturas, devido à sua forte crença de que os milhos têm direito à autodeterminação de seus próprios corpos. Imagine, seria duro para as espigas terem relações com gente que elas não conhecem, não gostam... Dureza.
E assim ele foi pro centro da cidade, na casa de seu vizinho, assim considerado depois de ele se manguaçar completamente, sendo um desconhecido. Ele viu que seu "vizinho" tinha um lindo milharal, e sabe então o que o menino fez? Ele foi lá e capinou tudo, tudinho.
O dono da fazenda estava voltando do puteiro quando viu a cena: o milho todo capinado, colhido, o terreno pronto para um novo semeio, as ferramentas todas no lugar! Ele ficou possesso! E ainda pegou o menino no flagra, que não se aguentava em pé depois de sua recente bebedeira para afogar as angústias existencias. O dono perguntou:

"O que você fez, seu miserável?!"
"Não precisa ficar assim comigo! Eu capinei sua fazenda!"
"Sim, mas a fazenda deve ser capinada do MEU jeito!"

E o menino balbuciava agora, oferecendo a terrível, repugnante, patética, e generosa bondade de bêbado, procurando se desculpar. No entanto, o fazendeiro apenas pegou uma enxada e deu com toda a força na fuça do menino.
E que o Diabo o perdoe, porque o menino não prostituiria seu milho.

Moral: Esteja proibido de comprar uma bebida super cara e afrescalhada para comprovar sua própria ignorância.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Estado das Cruzadas

Tudo começou há muito tempo, em uma vizinhança tranquila, cheia de guris que eram bem amigos entre si. Eles brincavam a tarde inteira daquilo que eles mais gostavam: UFC. Era contagiante a alegria:
"êêê Budweiser!"
"A gente divulga qual polêmica: fofoquinha entre lutadores ou lutador falando mal do chefe?" - "Não, isso fica pra outra semana. Bota aí mais um comercial de budweiser".
"Nossa! Vocês viram o que o Spider disse pro Miller?"
"Ah, o meu favorito é esse aí ó, não, espera, esse é o que perdeu quatro vezes de cinco no ano passado! Não, gosto mais desse que não perdeu aí..."
"De qual suplemento a gente faz propaganda hoje?"
"A gente inclui o pacote premium plus master de 16 lutas por R$ 199 em quantas parcelas? 3 ou 4?"
"Budweiser budweiser"

Às vezes as meninas da casa ao lado cansavam de brincar de administração de casinha e ficavam com vontade de participar nessa brincadeira, mas eram virulentamente rejeitadas sob a alegação de: "Não! UFC é coisa de homem! Tem que ser macho!"

Ah, sim! De vez em quando, tinha luta.
Todos de calçãozinho com publicidade, rodeando dois deles em um duelo com muito esfrega esfrega, muito encoxamento.

E era assim todo dia, até que um dos mesmos dois de ontem, o Luquinhas, estava meio pálido, meio tonto, e disse:
"Gente, eu não tô mui-"
e deu uma bela vomitada na grama alta do quintal antes de cair desmaiado. Seu oponente caiu em desespero, enquanto os outros tentavam reanimar Luquinhas: "Meu deus, eu nem toquei nele!"

Quando Luquinhas voltou a seus sentidos, ele estava em sua cama confortável com edredom do Frozen. Seus pais ficaram preocupadíssimos, ele estava muito estranho, com toda essa história de náusea. E notaram que ele tinha engordado muito! Pediram praquela vagabunda da empregada deles cortar o iogurte.

E ele não melhorava. Foi então que ele comprou um teste de gravidez, só por precaução, tinha medo do que poderia lhe acontecer o mesmo que aconteceu com sua mãe! E foi no banheiro, mijou no teste, e o horror tomou conta de seu ser quando ele acusou "positivo".

Impossível! Ninguém conseguia explicar como foi acontecer uma coisa daquelas! Mas a dúvida que não queria calar era: quem era o pai?
Poderia ser o Dudu, seu oponente e rival no 'UFC', com quem tinha se esfregado tão loucamente! Mas Dudu recusava categoricamente ser o pai, até porque não era só ele com quem Luquinhas lutava.
De qualquer forma, Luquinhas insistia para que Dudu o auxiliasse com pensão alimentícia! E a resposta era: "não mesmo!"
- mas achei que fôssemos amigos!"
"Agora que você fez chantagem emocional, não mesmo! Esse moleque aí na sua barriga não é meu! Não tenho que reconhecer"

Luquinhas disse que ele era um idiota e saiu correndo, chorando. Não sabia o que fazer... Até que lhe surgiu uma ideia. Ele foi no Rafa, amiguinho que brincava de médico, para fazer um aborto, enquanto ainda podia. Rafa, no entanto, disse que no plano de saúde que ele contratou não cobria abortos, e se fosse fazer pelo SUS só ia poder marcar pra 8 meses dali.
Mas Luquinhas protestou, perguntando que culpa tinha ele de contratar aquele plano se ele não sabia se podia engravidar, e dizendo que se fosse pra esperar pelo SUS, seria tarde demais! Rafa, no entanto, apenas se fez de joão-sem-braço, e Luquinhas mandou ele não reclamar se o dia em que ele crescesse ele virasse um incendiário de hospitais.

Havia cada vez menos esperança, e ainda um trabalho de história sobre os Estados Cruzados para entregar amanhã, com as normas da ABNT ainda por cima! Ele não sabia o que fazer, e, no caminho para casa, completamente fora de si, ele pegou um galho de mamona e perfurou o próprio bucho com ele.
Ele chegou em casa ainda pior do que saiu, e desmaiou enquanto punha sua mãe aos berros. Uma infecção tinha se formado nos ferimentos autoinfligidos, e por pouco Luquinhas não morreu.

Sua vida ficou por um fio, numa cama de hospital, até que a criança nasceu, um menino, que milagrosamente sobreviveu. Mas não que isso animasse Luquinhas.

Passaram três meses e ele ainda não sabia que nome colocar no moleque. Ele vivia pra cima e pra baixo sem camisa e de calção cheio de propaganda ainda, e foi no posto comprar leite Nan, no que ele basicamente gastava toda sua mesada. Certa vez, ele encontrou o Dudu lá, e a situação foi constrangedora e tensa para todos os envolvidos. Luquinhas mandava que ele visse o que ele fez. O parto foi por cesária, o que arruinou a tatuagem de estrela obrigatória de mmazeiro e gente que diz que "treina". Disse que Dudu era um irresponsável de merda. E assim, a situação se tornou um barraco, bem no espírito do UFC, no qual Luquinhas tacou um pote cheio de pão de mel no Dudu, que revidou: "vou contar pra minha mãe!"

E enfim ele voltou para casa, já com o filho berrando escandalosamente. Ele já tinha perdido noites inteiras de sono, suas notas no colégio despencaram, e lentamente Luquinhas escorregava para uma depressão.
O que já estava ruim apenas piorou quando seus pais chegaram pra ele e disseram que, em virtude do que ninguém imaginava que pudesse acontecer, não estavam conseguindo dar conta das despesas e iriam mandar o... é... ãh... o gurizinho sem nome pra adoção.

"Não!" - Pensou Luquinhas! Por menos apto que estivesse a cuidar da criança, ele não podia simplesmente cedê - la, era sangue do seu sangue! Deveria haver alguma solução, algo que lhe permitisse continuar cuidando dela! E finalmente lhe ocorreu ser um lutador de UFC! Não precisaria ser bem instruído ou talentoso, apenas ser o mais modinha o possível para ser completamente empastado de propaganda de Budweiser ou qualquer whey protein da vida! Encheria as burras de dinheiro só por ter amigos nos lugares certos!

E ele voltou a ver seus amigos após meses, apesar de serem uns trastes que nem foram atrás dele quando estava quase morto no hospital. E a primeira luta arranjada para qual foi escalado foi contra o Dudu! Ao vê - lo, ficou furioso e teve conduta muito antiesportiva!
Ele cometeu várias faltas graves, com dentada e necrofilia, e o árbitro obeso infantil disse que se ele continuasse com aquela merda, ele seria expulso para sempre do UFC! E o Dudu todo fodido, dominado e impotente disse: "por favor, Luquinhas! Pense no dinheiro!"

Luquinhas ficou comovido de ver que Dudu se importava, e que queria ajudá - lo! Ninguém no UFC nunca faria nada assim por ele! Em nome do amor! O que mais em nome do amor?
E assim a luta continuou ao melhor e mais  "justo" estilo do UFC, cheia de beijinhos na nuca e dormir de conchinha. E dane - se o resultado, porque no fim os dois ganharam, e celebraram bebendo "budweiser", fazendo de conta que não era Tubaína.

No fim, o Luquinhas confrontou o professor de história dizendo que os Estados Cruzados eram pura baboseira e não há prova conclusiva de que tenham existido, ou de que tenham sido relevantes, assim como o Império Latino, coisas com as quais somente o amante de travestis que era o professor se importaria.

E poucos meses depois, Dudu começou a passar mal e fez uns testes, e descobriu que estava incontroversamente grávido de Luquinhas, o que o fez gritar furioso: "Puta merda, Luquinhas!"

Moral: O orkut estimula ódio entre classes, raças e religiões, enquanto que o facebook estimula depressão entre moleques criados em apartamento.

sábado, 5 de abril de 2014

Facebookhomem

Tudo começou há muito tempo, com Facebookhomem, super - herói do facebook, com poderes incríveis de frases motivacionais e gentilezas que mudam o mundo. Normalmente, ele adicionava todo mundo que ele conhecia, não era injusto com ninguém, afinal, a amizade com todos eles era seu maior tesouro. Lembrava do aniversário de todo mundo, até da tia da cantina da 5ª série, que ele adicionou uma foto com uma descrição de duas páginas homanegeando - a por todos os bolinhos de carne.
Marcava seus amigos em várias fotos e comentários junto com 45 pessoas para alegrar seus dias, e lembrava de tudo o que fazia cada um deles especial. Nenhuma opção de curtir passava em branco para nosso herói, que elogiava todas as fotos existentes e fazia comentários como "perfeito" em alguma charge sagaz pra cacete, tornando a rede social num lugar socado de gentileza e pessoas melhores.
Mas nem tudo era rosas; ele sempre compartilhava a dor de seus amigos quando algum problema com o país era denunciado, e ele imediatamente sentia vergonha de ser brasileiro. Isso nos intervalos de ficar curtindo os posts de "humor inteligente", que tinha todo seu conteúdo 'importado' de páginas que não eram de humor inteligente.
Como super - herói, poderia se esperar que ele fizesse coisas do tipo... sei lá, matar os monstros e os vilões e salvar a humanidade de catástrofes. Mas não, ele não fazia nada disso, caso contrário, ele não passaria o dia inteiro no facebook.
Ele só saía de casa, saltando de prédio em prédio, para entrar em um apartamento de vovó. Lá estava o grande amor da vida de Facebookhomem: Cara de Bichos de Estimação! Ele era metade homem, metade gatinhos e cachorrinhos. Ele tinha uma aparência um tanto grotesca, ao revés das expectativas dos cientistas loucos que o criaram, que sempre preferiram bicho do que gente.
Lá eles fizeram bastante amor, até caírem no sono um nos braços do outro.
Mas Facebookhomem acordou de sobressalto quando ouviu o barulho da porta do quarto se abrindo, e viu alguém se aproximando. Logo ele se deu conta de quem era: Garoto Orkut! Com maldade nos olhos e intenções vingativas!
Ele já foi o tímido ajudante do Facebookhomem na propagação de frases motivacionais, em perfis e comunidades! Mas apesar de ser 100% confiável e legal, ele mostrou ser um traiçoeiro de uma figa! Ele nunca superou o fato do facebook ser mais carismático e heroico, além do fato de estar perpetuamente traumatizado de não ter conseguido preencher 1 daqueles coraçõezinhos!!
Facebookhomem o confrontou: "Desista, Garoto Orkut! Não há mais nada entre nós! Você tentou me imitar, e falhou miseravelmente! Se liga!"
Garoto Orkut se retorcia em ódio ao ouvir aquilo: "Não! Isso não é verdade! Nããão!"
Ele nem se conteve quando pegou uma pequena caixa de couro rançosa, e a abriu revelando um conteúdo que fez gemer o Facebookhomem, assim que o envolveu e drenou sua incrível força vinda de curtidas!
"Não! Discussões bizantinas e falaciosas entre esquerda e direita! Minha única fraqueza! Tenho que... resistir! Arrarhghahga!"
Todo o esforço hercúleo de nosso herói se desfez em morte quando seu corpo foi desintegrado diante de uma arma tão mortífera. Cara de Bichos de Estimação agora temia por sua vida, mas logo também apertou a mão do destino quando Garoto Orkut o destruiu com uma arma chamada 'vergonha na cara'.
Depois dessa, Garoto Orkut ficou isolado por muito tempo, devido a problemas para acessá - lo e armadilhas de spam, esperando o momento que as pessoas precisassem dele novamente. Mas esse momento nunca veio, pois até o Google o traiu.

Epílogo: Ninguém tem certeza de como pronunciar certo o nome de Facebookhomem, isso por causa da letra 'kh', da mongólia, que tem som de hhhrrhrjhrjhjrhrhgrghgrh. E seria uma eterna lutinha entre pernósticos que afirmam categoricamente que é uma letra, acompanhados de travecos, e os pernósticos que dizem que "não é uma letra. São duas".

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Spi que me amava

Tudo começou há muito tempo, na calada de um início de madrugada à beira da estrada, em um motel que funcionava ao mesmo tempo como borracharia e tribunal de pequenas causas, que cobrava 5 vezes o preço normal das coisas para atrair mais hipsteres.
Dânia era a recepcionista de plantão, mas ela poderia ser quem você bem quiser, em fanfics de Carros e Frozen! Ela poderia até ter o nome e a aparência de algum amiguinho retardado que você tenha.
Ela passava dias e noites inteiros arduamente jogando paciência e vendo seu facebook, rindo das dificuldades de primeiro mundo ao som das músicas mais manjadas para moleques posers do rock clássico, enquanto havia um certo Spi lá, que brincava no quintal, revirando todas as lajotas possíveis para que ela tivesse que recolocar tudo no lugar depois. E de quebra ele pegou a vaquinha de estimação que tinha vindo do terreno ao lado e fez um churrascão com ela.

Spi parecia um lindo duende com olhos verdes, cabelos negros com franja de mauricinho e cara de boneca inflável; todas as mulheres queriam tê - lo.
Ele tentava cortar lenha naquele grande quintal com uma machadinha, em plena chuva, para a lareira do lugar, apesar de acabar destruindo as achas de madeira no processo, deixando - as mais parecidas com um palito de dente.
E ademais o motel não tinha lareira, mas isso ele só descobriu tarde demais, quando incendiou o corredor e três hóspedes morreram sufocados.
Foi nesse cenário que chegaram dois sujeitos no mínimo bizarros, Obranquela Sarraceno e "Horror" Poznanbrac, que se diziam "peritos enviados pela seguradora para avaliar o prejuízo". Mas Dânia não deu muita bola, ela estava olhando para sua sela maneiríssima e irada pendurada na parede enquanto deixava que seu pai se preocupasse com estar seguro, ou seja lá o que fosse. Ah, e ela era loira.

Em verdade, os dois eram uns vagabundos, dois cheiradores de éter dedicados ao banditismo, dois narradores do Winning Eleven '96 para Polystation que eram 'dos vilons com poder sombrio'.
No fim, só estavam ali para roubar todos os hóspedes que se encontrassem ali, fomentarem lá mesmo uma quadrilha de menores infratores, com sua própria versão do trio ternura, secarem todo o estoque de uísque de todos os quartos, e passar a mão na bunda da Dânia. Eles a ameaçavam fisicamente e a coagiam para levantar a saia e lhes dar dinheiro do caixa para que eles pudessem comprar a promoção da garrafa de champanhe que tavam oferecendo. Isso tudo com certeza deveria desencadear a busca pelos guardios!
Em relação aos guardios, alguém poderia perguntar: "que porra é essa?" - Em verdade, eles decepcionavam e deprimiam as crianças, fazendo - as implorar por Pixar.
Mas no fim nem precisou, porque Spi chegou na recepção e jogou através do balcão da recepção duas cabeças, com rombos de tiro de Mauser e desfiguradas com ácido, decepadas com a machadinha.
Dânia gritou quando elas caíram em seu colo, mas então Spi disse que eram as cabeças de Obranquela e "Horror"! Ele os tinha matado e profanado seus cadáveres porque ele a amava! Que lindo!
Mas então ela perguntou "Quem é você? Quem é você? Quem é quem é quem é quem é você?"

Spi disse que ele era Spi, como ela já deveria saber, apesar dela ter pensado todo esse tempo que seu nome era Jefferson. Mas para constar, ele era um super agente secreto, o maior de todos, a serviço de sua majestade e do SBIOI (Serviços Brasileiros Inteligentes e Ótimos de Inteligência). Super fodão, ele parecia um certo outro espião que todo mundo finge que adora.
Em regra Spi nunca contaria os detalhes de suas missões para uma inocente que nem ela, pois ele era um monstro sem coração. Mas ele a amava, e então ele disse que ele precisava encontrar o diretor de uma vasta organização terrorista, que ameaçava a humanidade com armas nucleares e intimidações a pessoas famosas. O destino do mundo inteiro estava em suas mãos, mas não era pra ela se preocupar.
E então os dois aproveitaram para irem como travestis passar a noite na suíte presidencial, que apesar do preço só oferecia nesquik como café da manhã, e que ao invés de espelho no teto tinha um retrato de uma pessoa muito zangada olhando pra você. E da noite para o dia, eles criaram uma fábrica de conservas e ficaram fazendo crianças adventistas. Muahahaha

Agora que Spi já tinha desperdiçado dinheiro público da verba do SBIOI o bastante naquele lugar, ele e Dânia foram embora na busca pelos terroristas! Ela decidiu simplesmente abandonar o motel do pai dela para que ele virasse um lugar sem preços e sem regras, e no fim virou uma colônia de hippies.

Spi tinha seu veículo da empresa, o Spi sobre Rodas, um rolimã motorizado de piá de prédio que podia virar um submarino e tinha uma pequena ogiva nuclear que explodia como alarme antirroubo. E era perfeitamente ecológico, pois usava flores e palavras bonitas como combustível. Mas ele não levou Dânia junto com ele, pois ele gostava de dirigir sozinho, sem gente dando palpite. Ele deixou que ela pegasse um ônibus, como prova de amor.

Spi se encontrou novamente com a Dânia que ele tanto amava e juntos foram até uma superestrutura de aço, a fortaleza pederasta escondida no Himalaia, nas terras do sem fim. Lá, o diabólico Básico 1 da organização comandava as operações terroristas, com uns looks básicos para qualquer ocasião, até casamentos! Nosso herói se deixou capturar, tendo Dânia o mesmo destino, para ser levado até o líder espectral e macabro com uma capa; um moleque de 10 anos, que se usassem um fungicida nele, seria seu fim. Era um babaca arrogante infestado de DSTs do qual ninguém gostava. Nem os pais dele gostavam dele, e foi por isso que ele se tornou não só um terrorista de 10 anos, mas um terrorista de 10 anos que anda pelado para acusar de pedofilia quem quer que fosse, para mandar todos para cadeia e dominar o mundo com bombas atômicas roubadas.

Agora Spi e Básico 1 estavam jantando juntos à luz de velas, e este convidava o espião para trabalhar para ele. Spi franzia a testa diante da proposta indecente, mas Básico 1 discorreu...
A única atividade que Spi fazia no SBIOI nos últimos meses era apertar botões para explodir coisas e torturar gente má, tudo do seu escritório que tinha um montão de monitores e doritos, e de vez em quando mulheres. Nem era espionagem de verdade, e agora ele era o único que se sujeitava àquilo! Houve demissões em massa no serviço por cortes de orçamento, e ele era o único oficial de inteligência que ainda ganhava para trabalhar para Mestre, o diretor. Ele e uma senhora lá que vendia tartelete de banana.
E logo logo teriam indianos fazendo o serviço dele por bem menos! Básico 1 informou que se ele quisesse garantir algum emprego nesse mundo miserável, ele tinha mais é que se juntar a ele.

A consciência de Spi pesava. A atmosfera o sufocava. Nada do que aquele guri imbecil e petulante disse era absurdo, nem algo que ele nunca parou para pensar. Ainda assim, ele havia jurado servir ao país, e ele precisava mais do que um emprego, ele precisava de um propósito, de dignidade, coisa que ele não teria servindo aquele pivete em seus objetivos torpes!

De qualquer forma, ele pensou: quer saber? Dane - se! Eu estou precisando trocar de Spi sobre Rodas. Ele aceitou para valer a oferta, e selou o acordo apertando a mão de Básico 1. Só que, por falta de consciência corporal, ele estava segurando a mauser na mão com que ia cumprimentá - lo, e um dedo escorregou no gatilho e acabou que Básico 1 levou um tiro na cara. Spi matou o guri, e agora teriam 'guardios' furiosos, corrompidos, correndo atrás deles com filmes medíocres de animação, que incluíam continuações infinitas, e abrindo fogo louca e indiscriminadamente!

Foi aí que Spi resgatou  Dânia, que estava irritada, amarrada e amordaçada em um ofurô de merda. Eles escapavam de tiros usados apenas para enfatizar a perseguição, pois o requisito básico de emprego para todo guardio era ser um atirador incompetente! Não conseguiriam atingí - los nem que estivessem a queima - roupa! Logo atrás deles estava Dramático 2, o sucessor vingativo de Básico 1 naquela hedionda empreitada terrorista.

Nas encostas das montanhas eles fugiram esquiando, com Spi usando um meião-especial-para-dar na cabeça, sob uma barragem de tiros sem vontade de acertar! Eles saíram voando entre as neves; Spi não usava camisa nenhuma, e Dânia estava com uma camisola muito transparente! E por isso os dois pegaram pneumonia e morreram.

Moral: Nenhum caminho é curto quando o caminho é longo.